Praia & Campo
O auge de ocupação das praias em Florianópolis inicia logo após o Natal e estende-se até 15 de janeiro. Volta a ter bom movimento na semana do carnaval.
Florianópolis é interessante porque alterna praias de mar calmo com praias que sediam competições de surf. Algumas praias são sofisticadas, possuem ótima infraestrutura e bons restaurantes. Suas ruas e avenidas são mantidas com zelo e jardins se espalham entre as avenidas, ou em frente de casas e condomínios. Por outro lado, a cidade ainda contempla praias com acesso difícil, com pouca ou quase nenhuma infraestrutura, mas com belezas sem par, como bem colocado no “Rancho de Amor à Ilha”, por Claudio Alvim Barbosa. O lado bom é que tanto nas praias mais rústicas quanto nas praias mais sofisticadas a areia acolhe a todos, é democrática. Um ponto comum no verão é o trânsito caótico em qualquer direção na Ilha. Um fato interessante é que o “Manezinho da Ilha”, que preza pela sua origem, pode com autoridade, escolher frequentar uma praia com ou sem vento. Embora as “tribos” estejam bem representadas em todas as praias, aparecem também algumas peculiaridades, como por exemplo, a predileção dos turistas argentinos pela Praia de Canavieiras, dos abonados pela Praia de Jurerê Internacional, dos surfistas pela Joaquina, Mole e Brava e dos peladões pela Praia da Galheta.
Das 42 praias de Florianópolis a minha predileta é a Praia Brava. Essa praia é um tanto elitizada quando se fala nas edificações e infraestrutura, por outro lado é desprovida de restaurantes, tem no máximo alguns quiosques ao longo da orla, food truck e take away. É uma praia com aproximadamente 1,5 quilômetros de extensão e protegida por costões rochosos tanto do lado norte quanto do lado sul. Os rochedos que limitam o oceano são impetuosos e tornam-se resplandecentes quando as ondas estouram em suas protuberâncias. As elevações dos extremos da praia são unidas por uma deslumbrante vegetação da Mata Atlântica, que simplesmente encanta. O lado sul tem altimetria de até 200 metros, enquanto as elevações do lado norte chegam no máximo a 160 metros.
Adjacente ao costão sul, tem uma trilha que liga a Praia Brava à Praia dos Ingleses, a Trilha da Feiticeira. A trilha esconde-se entre a vegetação e pouco se vê da cor azul esverdeada do mar. Uma outra alternativa para chegar aos ingleses, por trilha, é rodear os rochedos do costão.
A Praia Brava tem ainda uma outra trilha, a minha preferida, a Trilha do Morro do Rapa. Essa é uma trilha com paisagens fantásticas. Durante o seu percurso as paradas são obrigatórias, para contemplar seja o mar da Praia Brava, como também os mares das Praias da Lagoinha do Norte e da Cachoeira do Bom Jesus e, evidentemente tirar lindas fotos. É uma trilha apaixonante. As duas trilhas fazem parte do roteiro brasileiro de Santiago de Compostela.
Atualmente eu resido na Praia Brava. Durante o verão convivo com o encanto do mar e durante o inverno com o bucolismo de uma área rural. Caminho entre cavalos, bovinos, saguis, corujas, quero-queros, entre outros simpáticos “vizinhos”. Não poderia deixar de citar o trio de cachorros pretos – para mim são as mascotes da praia. Encontro eles invariavelmente todos os dias que caminho ao longo da praia.
As fotos abaixo contemplam tanto a Brava badalada do verão, quanto a Brava rural do inverno.
Parte deste texto foi extraída do livro – “A visão cômica, mas também científica de um microbiologista sobre a pandemia de covid-19: o enigma e a ciência”, de minha autoria.




Verão 2022


Trilha Morro do Rapa



Pesca da tainha









Brava rural

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